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A República Democrática do Congo (RDC) consolidou a sua posição como uma das economias mais relevantes no comércio intra-africano, ultrapassando o Egipto e assumindo o segundo lugar no ranking dos países com maior participação nas trocas comerciais dentro do continente. A evolução confirma uma mudança gradual no mapa económico africano, impulsionada pela implementação da Área de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) e pelo reforço das cadeias de valor regionais.
Segundo o mais recente Relatório sobre o Comércio Africano, publicado pelo Afreximbank, a África do Sul mantém a liderança, concentrando 19,2% das trocas comerciais intra-africanas. A RDC surge agora na segunda posição, com uma quota de 6,7%, seguida pela Costa do Marfim, que ascendeu ao terceiro lugar com 4,8%, relegando o Egipto para fora do pódio.
No conjunto, estes três países representam cerca de um terço de todo o comércio realizado entre economias africanas, demonstrando uma crescente redistribuição do protagonismo económico no continente. O relatório aponta que o comércio intra-africano cresceu 5,5% em 2025, atingindo aproximadamente 213,8 mil milhões de dólares, sustentado pela redução gradual das barreiras comerciais, melhorias nas infra-estruturas logísticas e pela implementação da AfCFTA.
Os dados reforçam uma tendência que economistas acompanham há vários anos: África começa a depender menos dos mercados externos para expandir o seu comércio.
Ao facilitar a circulação de mercadorias entre os países africanos, a AfCFTA tem incentivado governos e empresas a diversificar mercados, fortalecer cadeias de abastecimento regionais e reduzir custos comerciais, criando novas oportunidades para a industrialização e para o investimento privado.
Para o Afreximbank, a actual conjuntura internacional, marcada por tensões geopolíticas e maior fragmentação das cadeias globais de produção, representa também uma oportunidade para que África fortaleça o comércio regional e aumente o valor acrescentado das suas exportações.
Apesar do avanço registado por diversas economias africanas, Angola continua com uma participação modesta no comércio intra-africano.
O país ocupa a 25.ª posição no ranking continental, representando apenas 0,9% das trocas comerciais realizadas dentro de África, uma redução face ao ano anterior. Grande parte do comércio angolano com o continente continua concentrado em poucos mercados, sobretudo a África do Sul, e permanece fortemente dependente das exportações de petróleo.
Esta realidade evidencia os desafios que Angola enfrenta para diversificar a sua base exportadora e aumentar a presença de produtos com maior valor acrescentado nos mercados africanos.
A ascensão da RDC reflecte também o crescente peso económico da África Central, impulsionado pela exploração mineira, pelo aumento das exportações de minerais estratégicos e pela melhoria das ligações comerciais com países vizinhos.
Com recursos essenciais para a transição energética mundial, como cobre e cobalto, a RDC tem conseguido converter parte dessa capacidade produtiva em maior integração comercial regional, reforçando a sua influência económica no continente.
Para países como Angola, o novo relatório do Afreximbank deixa uma mensagem clara: o futuro do crescimento africano dependerá cada vez mais da capacidade de produzir, transformar e comercializar dentro do próprio continente. À medida que o comércio intra-africano ganha dimensão, as economias que conseguirem integrar-se nas cadeias de valor regionais estarão melhor posicionadas para captar investimento, gerar emprego e reduzir a dependência dos mercados externos.



