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Companhia turca retira Luanda dos seus planos futuros, juntando-se a outras transportadoras que reduziram ou encerraram operações na capital angolana.A Turkish Airlines retirou Luanda da sua programação futura, tornando permanente a suspensão da rota que ligava a capital angolana à sua rede internacional através de Istambul. A decisão abrange também Juba, Kinshasa, Libreville e Lusaca, cinco destinos africanos que tinham sido inicialmente suspensos de forma temporária.
A companhia aérea turca tinha anunciado, em Abril, a suspensão das rotas até 24 de Outubro, apontando o aumento dos custos com combustível como uma das razões. Entretanto, os destinos foram removidos dos horários futuros da transportadora, sem uma nova data de retoma anunciada.
A ligação com Luanda não era operada como um voo directo entre Angola e Turquia. Tratava-se de uma operação triangular através de Kinshasa, mas permitia aos passageiros angolanos aceder à extensa rede internacional da Turkish Airlines a partir do seu hub em Istambul, incluindo destinos na Europa e na Ásia.
A saída da Turkish Airlines acontece num momento particularmente relevante para a aviação angolana. O Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, inaugurado em Novembro de 2023, foi concebido para movimentar até 15 milhões de passageiros por ano e assumir-se como um importante centro de conexão regional.
Na prática, porém, o volume de passageiros permanece muito abaixo dessa capacidade.
Segundo dados da operadora temporária do aeroporto, a ATO, o terminal movimentou 756.028 passageiros durante todo o ano de 2025. Até 24 de Fevereiro de 2026, o aeroporto tinha registado pouco mais de 1,09 milhão de passageiros desde o início das operações domésticas, em Novembro de 2024, dos quais 444.212 eram passageiros internacionais.
A transferência integral das operações do antigo Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro só ficou concluída em 1 de Março de 2026, mais de dois anos depois da inauguração do novo terminal. A Airlink foi a última companhia mencionada no processo de transferência, ao levar os seus voos para Joanesburgo para o novo aeroporto.
A ATO tinha projectado cerca de 4 milhões de passageiros para 2026, um número ainda consideravelmente inferior à capacidade máxima de 15 milhões prevista para a infraestrutura.
A saída da companhia turca insere-se numa sequência de alterações na presença de companhias internacionais em Luanda.
A Brussels Airlines encerrou a sua operação na capital angolana em Março de 2025, no âmbito de uma reestruturação do grupo Lufthansa. A TAAG, por sua vez, suspendeu a ligação a Madrid em Janeiro de 2024, enquanto a Iberia mantém suspensa a sua operação própria para Luanda desde 2016.
Apesar destas mudanças, o novo aeroporto continua a receber operações de várias companhias internacionais, entre as quais TAP Air Portugal, Air France, Lufthansa, Royal Air Maroc, Ethiopian Airlines, Qatar Airways, Airlink e TAAG. Em Agosto de 2026, a Compagnie Africaine d'Aviation iniciou também duas frequências semanais entre Kinshasa e Luanda.
A retirada da Turkish Airlines coloca novamente em evidência uma questão central para a estratégia aeroportuária de Angola: ter uma infraestrutura de grande capacidade não garante, por si só, a criação de um hub internacional.
Para atrair e manter companhias estrangeiras, o aeroporto precisa de gerar procura suficiente, oferecer ligações competitivas e criar condições para que as transportadoras consigam sustentar economicamente as suas operações.
O caso de Luanda mostra, por isso, que o principal desafio do novo aeroporto já não é apenas concluir a transferência das operações do antigo terminal. É transformar a capacidade instalada em passageiros, rotas e conexões internacionais regulares.
A saída da Turkish Airlines acrescenta mais um capítulo a esse processo e coloca sob maior atenção a capacidade de Luanda para se afirmar como uma plataforma aérea de referência na África Austral.




