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Entre impostos, participações na produção, royalties e outras contribuições obrigatórias, Chevron e ExxonMobil transferiram quase 9 mil milhões de dólares para o Estado angolano em apenas dois anos. O Estado angolano recebeu 8,88 mil milhões de dólares da Chevron e da ExxonMobil entre 2023 e 2024, segundo um relatório da organização Friends of Angola, elaborado com base nas declarações obrigatórias apresentadas pelas duas empresas à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).
O montante inclui impostos, participações do Estado na produção petrolífera, royalties, bónus, taxas administrativas e pagamentos obrigatórios de responsabilidade social corporativa.
Embora o debate público se concentre frequentemente nos impostos pagos pelas multinacionais petrolíferas, o relatório apresenta uma realidade diferente.
Dos 8,88 mil milhões de dólares transferidos para o Estado angolano, 7,14 mil milhões correspondem à participação do Estado na produção de petróleo, representando mais de 80% do total recebido.
Já os impostos representaram apenas 11,4% do valor global das transferências.
De acordo com o estudo:
Chevron
1,94 mil milhões de dólares em 2023;
1,74 mil milhões de dólares em 2024.
A empresa registou uma redução de cerca de 10,5% nas transferências entre os dois anos.
Já a ExxonMobil apresentou uma evolução inversa:
2,24 mil milhões de dólares em 2023;
2,97 mil milhões de dólares em 2024.
O aumento ronda os 32%, impulsionado sobretudo pelo crescimento da participação do Estado na produção dos blocos em que a empresa opera.
O relatório mostra que a ExxonMobil pagou 906,2 milhões de dólares em impostos durante os dois anos analisados, enquanto a Chevron desembolsou cerca de 103,9 milhões de dólares.
Segundo o estudo, esta diferença resulta dos diferentes blocos petrolíferos explorados por cada empresa, dos respetivos volumes de produção e dos regimes fiscais aplicáveis aos contratos de exploração.
Os dados utilizados no relatório resultam das obrigações de transparência impostas pela SEC às empresas cotadas nos Estados Unidos que exploram recursos naturais.
Estas regras exigem a divulgação detalhada dos pagamentos efetuados aos governos, permitindo acompanhar com maior rigor quanto os Estados recebem pela exploração dos seus recursos naturais.
Num país onde o petróleo continua a representar a principal fonte de exportações e uma parcela significativa das receitas públicas, este tipo de divulgação contribui para reforçar a transparência e a prestação de contas.
Os dados confirmam que o sector petrolífero continua a desempenhar um papel central nas finanças públicas angolanas.
Ao mesmo tempo, demonstram que a principal fonte de receitas do Estado não são os impostos pagos pelas petrolíferas, mas sim a sua participação direta na produção, prevista nos contratos de partilha de produção.
Esta distinção é importante para compreender como funciona o modelo de exploração petrolífera em Angola e de que forma o Estado beneficia economicamente da produção de petróleo.
Mais do que revelar o volume das transferências, o relatório ajuda a clarificar a composição dessas receitas e reforça a importância da transparência na gestão de um dos setores mais estratégicos da economia angolana.




