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Nova ofensiva tributária coloca contabilistas, consultores, advogados e outros profissionais independentes sob maior escrutínio fiscalA Administração Geral Tributária (AGT) está a intensificar as acções de controlo sobre os profissionais liberais em Angola, numa iniciativa que visa aumentar o cumprimento das obrigações fiscais e reforçar a arrecadação de receitas. No entanto, a medida já está a gerar um número crescente de reclamações, recursos e contestações por parte dos contribuintes afectados.
Entre os profissionais abrangidos encontram-se contabilistas, consultores, advogados, engenheiros, arquitectos e outros trabalhadores independentes enquadrados no Grupo B do Imposto sobre o Rendimento do Trabalho (IRT). Segundo a AGT, estes contribuintes continuam obrigados a apresentar declarações fiscais mesmo nos períodos em que não tenham registado rendimentos.
A ofensiva surge num momento em que a administração tributária dispõe de ferramentas digitais mais sofisticadas para cruzar informações provenientes de diferentes declarações, facturação electrónica e sistemas de inteligência tributária. A digitalização tem permitido identificar inconsistências e potenciais incumprimentos com maior rapidez.
A implementação da facturação electrónica, iniciada em 2026 para vários grupos de contribuintes, representa um dos principais instrumentos desta nova fase de fiscalização, permitindo à AGT acompanhar operações económicas praticamente em tempo real.
Nos últimos meses, vários contribuintes têm relatado o aumento do número de notificações, pedidos de esclarecimento e processos de fiscalização. Em alguns casos, a falta de regularização fiscal pode resultar na suspensão do Número de Identificação Fiscal (NIF), limitando a actividade profissional e o acesso aos sistemas electrónicos da administração tributária.
A AGT defende que estas medidas fazem parte do processo normal de controlo tributário e que as acções são orientadas por critérios de risco previamente definidos.
Apesar de reconhecerem a importância do cumprimento fiscal, vários profissionais e associações defendem que o processo deve ser acompanhado por maior clareza nas notificações, prazos mais adequados e mecanismos mais eficientes de comunicação entre os contribuintes e a administração tributária.
As preocupações não se limitam às multas. Muitos profissionais argumentam que falhas técnicas, dificuldades de acesso ao Portal do Contribuinte e interpretações divergentes da legislação acabam por gerar situações de insegurança jurídica e custos administrativos adicionais.
Especialistas consideram que o actual momento representa uma mudança estrutural na relação entre os contribuintes e a administração tributária em Angola. A crescente digitalização dos processos fiscais reduz o espaço para informalidade e aumenta a necessidade de uma gestão financeira mais organizada.
Para os profissionais liberais, o novo cenário significa que a conformidade fiscal deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um elemento essencial da actividade económica e da credibilidade profissional.
À medida que a AGT reforça os mecanismos de controlo, o desafio passará por encontrar um equilíbrio entre o aumento da eficiência fiscal e a criação de um ambiente de negócios previsível, transparente e favorável ao exercício das actividades profissionais em Angola.




