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A fintech africana quer deixar de ser apenas uma plataforma de pagamentos. A aquisição de um banco na África Oriental faz parte de uma estratégia para construir um grupo financeiro pan-africano, enquanto o IPO permanece em segundo plano.A Flutterwave, a fintech mais valiosa de África, está em processo de aquisição de um banco na África Oriental, numa operação que marca uma nova fase da sua estratégia de crescimento e reforça a tendência de convergência entre empresas tecnológicas e instituições financeiras tradicionais no continente. A informação foi confirmada pelo CEO da empresa, Olugbenga Agboola, em entrevista ao The Africa Report.
Embora o executivo não tenha revelado o nome da instituição nem o país onde decorre a negociação, explicou que a operação permitirá à empresa obter rapidamente uma licença bancária, infraestrutura financeira instalada e uma base de clientes, evitando o longo processo regulatório necessário para criar um banco do zero.
A iniciativa representa uma mudança significativa na evolução da Flutterwave. Depois de se afirmar como uma das maiores plataformas de pagamentos digitais do continente, a empresa pretende agora expandir-se para áreas como crédito empresarial, financiamento ao comércio, gestão de liquidez e outros serviços financeiros destinados às empresas africanas.
Durante vários anos, a possibilidade de uma Oferta Pública Inicial (IPO) foi vista como o próximo grande passo da Flutterwave. No entanto, a empresa afirma que a entrada em bolsa só acontecerá quando o negócio atingir níveis sustentáveis de rentabilidade e diversificação de receitas.
Segundo Agboola, uma IPO deve ser encarada como um mecanismo de financiamento e não como um objetivo estratégico. A prioridade, neste momento, passa por fortalecer o modelo de negócio e consolidar a presença da empresa nos principais mercados africanos.
A aquisição do banco enquadra-se numa visão mais ampla: transformar a Flutterwave numa plataforma financeira integrada para empresas.
Entre os mercados considerados prioritários estão Quénia, Gana, Ruanda, Tanzânia, África do Sul e Egipto, enquanto a República Democrática do Congo e a Etiópia permanecem na lista de expansão futura. Dependendo das exigências regulatórias de cada país, a empresa poderá optar por aquisições, parcerias estratégicas ou pedidos diretos de licença bancária.
Ao contrário dos bancos tradicionais, a Flutterwave pretende concentrar-se sobretudo no segmento empresarial, utilizando os dados das transações dos seus clientes para oferecer soluções de financiamento de curto prazo, capital circulante e crédito comercial às pequenas e médias empresas.
O movimento acompanha uma tendência crescente no setor financeiro africano. Em vez de competirem apenas no processamento de pagamentos, as grandes fintechs procuram agora controlar licenças bancárias e oferecer serviços financeiros completos.
Ao mesmo tempo, bancos tradicionais também têm adquirido startups tecnológicas para acelerar a digitalização das suas operações, reduzindo a distância entre os dois modelos de negócio.
A estratégia da Flutterwave demonstra que o futuro da banca africana poderá ser marcado menos pela distinção entre bancos e fintechs e mais pela capacidade de integrar tecnologia, dados e serviços financeiros numa única plataforma.
Fundada em 2016, a Flutterwave opera atualmente em 35 países africanos e já processou mais de mil milhões de transações, movimentando mais de 40 mil milhões de dólares. A empresa está avaliada em cerca de 3,3 mil milhões de dólares e conta com investidores como Visa, Mastercard, Salesforce Ventures, Tiger Global e Ripple.




