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Standard Bank Angola coloca 34% do capital no mercado, numa operação que pode avaliar o banco em até 700 mil milhões Kz. Com 149,5 mil milhões Kz de lucro em 2025, a instituição chega à Bolsa num dos melhores momentos da sua história.O Standard Bank Angola prepara-se para entrar na Bolsa de Valores de Angola com uma das operações mais importantes do mercado de capitais nacional em 2026.
A Comissão do Mercado de Capitais (CMC) aprovou a Oferta Pública de Venda (OPV) de 4,76 milhões de acções, equivalentes a 34% do capital social do banco. A operação decorre entre 11 e 25 de Setembro, com a negociação das acções na BODIVA prevista para arrancar a 30 de Setembro.
O intervalo de preço definido para o público situa-se entre 41.220 Kz e 50.000 Kz por acção. Para o accionista estratégico, Standard Bank Group Limited (SBGL), está fixado o preço de 41.220,24 Kz por acção.
A dimensão da operação ajuda a perceber o que está em jogo.
Com 14 milhões de acções em circulação, o intervalo de preço coloca uma avaliação implícita do Standard Bank Angola entre aproximadamente 577 mil milhões Kz e 700 mil milhões Kz. É esse o valor que o mercado estará, na prática, a ser chamado a atribuir ao banco.
O Standard Bank não chega à Bolsa como uma instituição em fase de construção. Chega com um balanço de grande dimensão e resultados que o colocaram entre os bancos mais rentáveis do País.
Em 2025, o activo líquido do banco atingiu 2,27 biliões Kz, depois de crescer 33,9% num ano. Os depósitos aumentaram 26,2%, para 1,64 biliões Kz, enquanto o crédito líquido a clientes cresceu 14,8%, para 666,4 mil milhões Kz.
Mas é nos resultados que a fotografia se torna mais interessante.
O Standard Bank Angola encerrou 2025 com 149,5 mil milhões Kz de lucro líquido, mais 20,4% do que no ano anterior. O produto bancário atingiu 298,3 mil milhões Kz, um crescimento de 29,5%.
A rentabilidade também permanece elevada. O banco apresentou um ROE de 40,4% e um ROA de 6,57%, enquanto o rácio de eficiência melhorou de 34,1% para 33,2%.
É este desempenho que sustenta a narrativa de um banco que chega ao mercado num momento de forte expansão.
A avaliação implícita da OPV permite fazer uma primeira leitura do preço.
Se o banco for avaliado em cerca de 577 mil milhões Kz, no limite inferior da oferta, isso corresponde a aproximadamente 3,9 vezes o lucro líquido de 2025.
No limite superior, de 700 mil milhões Kz, a relação sobe para cerca de 4,7 vezes o lucro.
É uma forma simples de perceber a operação: os investidores não estão apenas a comprar uma acção; estão a comprar uma participação num banco que, pelos resultados de 2025, gerou cerca de 150 mil milhões Kz de lucro num único exercício.
Naturalmente, a comparação não substitui uma avaliação completa. O preço de uma acção bancária depende também da qualidade dos activos, crescimento futuro, dividendos, capitalização, liquidez e expectativas sobre os resultados.
E há aqui um dado que merece atenção: apesar do forte crescimento, o banco aumentou significativamente as imparidades de crédito em 2025, para 9,36 mil milhões Kz, enquanto o crédito em incumprimento continuou num nível muito baixo, com um rácio de NPL de apenas 0,2%. O rácio de solvabilidade manteve-se elevado, em 28,6%.
A operação também é uma peça importante da estratégia de privatizações do Estado.
O IGAPE, em representação do Estado angolano, está a alienar 4,76 milhões de acções, correspondentes a 34% do banco. Deste lote, 3,36 milhões de acções, ou 24% do capital, estão reservadas ao SBGL, enquanto 1,4 milhões de acções, equivalentes a 10%, serão disponibilizadas ao público em geral.
O Estado detém actualmente 49% do Standard Bank Angola, enquanto o SBGL controla aproximadamente 51%.
Caso o accionista estratégico exerça integralmente o seu direito, a operação permitirá ao grupo sul-africano aumentar a sua participação no banco angolano para 75%.
Para o Estado, a venda dos 34% poderá representar um encaixe bruto entre aproximadamente 196,2 mil milhões Kz e 238 mil milhões Kz, dependendo do preço final aplicado à oferta.
Mas existe uma diferença importante entre o valor total da operação e aquilo que efectivamente ficará disperso no mercado.
Apenas 10% do capital será colocado junto do público em geral. Os restantes 24% da parcela vendida estão destinados ao accionista estratégico.
A entrada do Standard Bank acontece num momento em que o mercado accionista angolano procura ganhar profundidade.
A CMC prevê a admissão à negociação das 14 milhões de acções, correspondentes à totalidade do capital social do banco, embora apenas uma parte seja efectivamente distribuída ao público nesta operação.
Isso coloca uma questão central para o mercado: a existência de uma grande empresa cotada é suficiente para criar liquidez?
A resposta dependerá da participação dos investidores, do volume de acções efectivamente negociado e da capacidade do mercado secundário para formar preços de forma regular.
Para o Standard Bank, a estreia representa também uma mudança de regime. A partir da entrada em Bolsa, os resultados, a política de dividendos, a governação e a capacidade de continuar a crescer passam a ser avaliados permanentemente pelo mercado.
O Standard Bank chega à Bolsa com números fortes: 2,27 biliões Kz em activos, 1,64 biliões Kz em depósitos, 666,4 mil milhões Kz em crédito e quase 150 mil milhões Kz de lucro líquido em 2025.
A questão já não é se o banco tem escala.
A questão é quanto dessa escala o mercado está disposto a pagar.
Entre os 41.220 Kz e os 50.000 Kz por acção, os investidores terão de decidir se o crescimento, a rentabilidade e a posição competitiva do Standard Bank justificam uma avaliação que pode chegar aos 700 mil milhões Kz.
A “baleia azul” da banca angolana vai à Bolsa.
E, pela primeira vez, o mercado terá de colocar um preço público sobre o seu valor.




