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Dispersão de votos no primeiro turno leva o país a uma segunda volta inédita desde 1986, colocando frente a frente um candidato da esquerda e o líder da extrema-direita.Lisboa, 19 Jan 2026 — Portugal viveu neste domingo (18) um dia histórico nas eleições presidenciais de 2026: nenhum dos 11 candidatos conseguiu a maioria absoluta dos votos, obrigando o país a uma segunda volta a 8 de fevereiro, o que não acontece desde 1986.
Com mais de 11 milhões de eleitores registrados, os votos foram amplamente distribuídos, refletindo um panorama político fragmentado e polarizado.
António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS) e antigo líder socialista, foi o mais votado, com cerca de 31 % dos votos no primeiro turno.
André Ventura, líder do partido Chega, de direita radical, ficou em segundo lugar com aproximadamente 24 %, garantindo uma vaga na disputa final.
João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) e Henrique Gouveia e Melo (independente) ficaram em terceiro e quarto lugares, com cerca de 16 % e 12 %, respetivamente, mas fora da corrida para a presidência.
A segunda volta marcá-se não apenas pela necessidade de um novo escrutínio, mas pelo facto de um candidato de extrema-direita disputar o cargo presidencial pela primeira vez nas últimas quatro décadas.
António José Seguro, que regressou à política ativa para estas eleições, defendeu durante a campanha um discurso de unidade e apelos à defesa da democracia como um valor central do processo eleitoral português. Já André Ventura tem feito campanha com um discurso crítico à imigração e às elites políticas, temas que têm atraído um número crescente de eleitores, especialmente entre os mais jovens e em contextos de descontentamento social.
A grande liderança de Ventura reflete o crescimento do Chega no cenário político nacional — partido que, em poucos anos, se tornou uma força relevante no Parlamento português. Embora a Presidência seja tradicionalmente um cargo cerimonial com poderes limitados, o presidente pode vetar legislação e dissolver o Parlamento, tornando-se uma figura de peso em momentos de crise política.
Michel Montenegro, líder da maior formação de centro-direita e atual primeiro-ministro, declarou que o seu partido não dará uma recomendação de voto para o segundo turno, sublinhando as profundas divisões no espectro político tradicional.
A corrida para 8 de fevereiro promete ser intensa e decisiva para o futuro político de Portugal. Observadores internacionais destacam que este cenário espelha tendências mais amplas de fragmentação política e de ascensão de movimentos populistas em toda a Europa.
Os eleitores portugueses enfrentarão, assim, uma escolha clara entre duas visões distintas para o país — consolidando um momento político singular em décadas de democracia.




