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Startup angolana aposta em tecnologia, inclusão financeira e formalização de um mercado avaliado em 5 mil milhões de dólares.A Anda, uma jovem startup angolana de mobilidade, acaba de captar 3,4 milhões de dólares numa ronda de investimento que promete redefinir o setor de mototáxis em Angola. Fundada em 2022 por Sérgio Tati e Joerg Nuehrmann, a empresa nasce com uma ambição clara: modernizar e formalizar um dos mercados mais emblemáticos do país através da tecnologia e de um modelo de negócio inovador.
Estima-se que mais de 1,2 milhões de mototaxistas operem em Angola, com cerca de 600 mil concentrados em Luanda. Apesar da dimensão, o setor é marcado pela informalidade — muitos condutores não possuem licença, seguro, formação adequada ou mesmo propriedade sobre as suas motas. A Anda quer mudar este cenário, apostando num modelo que combina mobilidade digital, financiamento de ativos e inclusão financeira, com o objetivo de criar oportunidades reais de propriedade e crescimento para milhares de condutores.
O conceito central da Anda é o “drive-to-own”: os condutores recebem uma mota equipada com GPS, seguro, capacete e suporte técnico, e vão pagando o ativo através das corridas realizadas na plataforma. No final do período de pagamento, tornam-se proprietários da mota, passando de trabalhadores informais a microempreendedores formais. A aplicação da Anda também permite solicitar viagens, efetuar pagamentos digitais e monitorizar ganhos, criando um ecossistema completo que liga condutores e passageiros com transparência e segurança.
A injeção de capital permitirá à startup expandir operações, melhorar a infraestrutura tecnológica e aumentar a frota disponível, reforçando o compromisso com a formalização e a sustentabilidade do setor. Com o mercado angolano de mototáxis avaliado em cerca de 5 mil milhões de dólares, e o mercado africano em 80 mil milhões, a Anda posiciona-se como um dos players mais promissores no continente.
O sucesso da Anda dependerá da sua capacidade de escala operacional, gestão de risco de crédito e adesão dos condutores ao novo modelo. Ainda assim, a aposta surge num momento de crescente interesse por soluções de mobilidade sustentáveis e digitalizadas em África.
Mais do que uma empresa de transporte, a Anda pode tornar-se um catalisador de mudança socioeconómica, promovendo emprego, propriedade e dignidade para milhares de angolanos sobre duas rodas.



