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O programa de financiamento para estudantes universitários foi lançado em Angola, permitindo que até 100 estudantes tenham acesso a empréstimos de até 7 milhões de Kwanzas (Kz) para cobrir propinas e outros custos associados ao ensino superior. O financiamento é concedido através do Banco de Comércio e Indústria (BCI), em parceria com o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), a Associação dos Estudantes das Universidades Privadas de Angola (AEUPA) e o Laboratório de Inovação do Sistema de Pagamentos (LISPA) do Banco Nacional de Angola.
O programa está integrado no Cartão de Estudante Universitário (CEU), lançado oficialmente a 22 de outubro.
O cartão custa 5 mil Kz.
Funciona simultaneamente como identificação de estudante, cartão de débito e cartão de descontos comerciais, com reduções de até 50% em diversos serviços (alimentação, transportes, livrarias, seguros, lazer).
Para aceder ao empréstimo estudantil, os candidatos devem:
Dirigir-se a uma agência do BCI com o cartão CEU e bilhete de identidade.
Abrir uma conta bancária, sem custos associados.
Negociar os termos de reembolso com um gestor do BCI.
A taxa de juro é 14%, significativamente inferior à média para empréstimos a particulares de prazo superior a um ano, que era de 21,58% em setembro, segundo estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA). Se o crédito for aprovado, o dinheiro não entra diretamente na conta do estudante, mas é enviado para contas bancárias das universidades — para pagamento de propinas — ou para empresas parceiras que fornecem serviços académicos.
Trabalhadores-estudantes podem aceder diretamente ao empréstimo.
Estudantes que não trabalham precisam de um avalista, normalmente um dos pais ou responsável legal.
Apesar das vantagens, o programa ainda não registou qualquer adesão ao crédito: segundo fontes ligadas ao projeto CEU, até agora os estudantes têm usado apenas o cartão para os descontos, sem contrair empréstimos.
Alguns estudantes referem que não aderiram por falta de clareza nos critérios e por complexidade nas condições: “É complexo porque envolve um banco e uma seguradora”, afirmou Justino Katone, presidente da Associação de Estudantes da Universidade Católica de Angola.
Este programa surge num momento em que os estudantes enfrentam custos universitários crescentes: em universidades privadas angolanas, o custo médio por ano (propinas, matrícula, transporte, alimentação e outros) ultrapassa 1,3 milhões Kz. Também há pressão social sobre os estudantes: o aumento de propinas (acima de 20% em alguns casos) e o crescimento dos transportes já encareceram significativamente a vida académica.




